42 prefeitos para o bonde do governo

MG MOREIRA
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No início da noite de ontem a Praça dos Girassóis (centro nervoso do poder central) parecia cidade do interior em dia de comício eleitoral. Era a máquina soltando fogos pela cooptação de 42 prefeitos para o bonde do governo, o Solidariedade, criado e fornido pelo Palácio Araguaia, numa ação que conseguiu mudar extremos.

Via-se ontem, a ex-petista Solange Duailibe de mãos dadas com Stalin Bucar (e mais cinco deputados e 42 prefeitos) em genuflexão a Eduardo e Siqueira Campos.
O que os une, agora, pode-se inferir, é o mesmo que os separava: vigarice intelectual e ideológica no exercício do mandato, que poder-se-ia comparar a um estelionato eleitoral. E tudo muito claro e específico.

Tomo os dois como ponto de reflexão, mas poderia ser qualquer um dos deputados ou prefeitos que escolheram mudar de partido a um ano das eleições. E por que? Por causa disso, que ver?

No dia 3 de setembro deste ano, há pouco mais de um mês, o deputado Stalin Bucar vociferava o seguinte na Assembléia:“Esse é o pior governo da história do Tocantins e nós não temos a menor dúvida disso” (...). “Estão assaltando este Estado (...)”. “ Está entrando dinheiro e é muito, não é pouco não. Agora onde ele está sendo aplicado é que nós temos que saber”.

Lá no dia 9 de fevereiro de 2012, Solange Duailibe subia à tribuna para dizer o seguinte: “Porque este governador é um perseguidor que não olha para a administração desta cidade, que persegue o servidor”. Antes, no dia 20 de outubro de 2011, a parlamentar, também da tribuna, denunciava: “Como esses deputados são capazes de dar sustentação a um governo truculento, que não respeita as pessoas, nem os poderes constituídos e que busca a submissão de defensores e procuradores ao seu poder de comando?”

Pois é. Cada um tem o direito de mudar de posição. É da democracia. Não concordo com o democratismo, mas defendo, entretanto, as estruturas democráticas permanentes. Mas há situação de difícil explicação. Ora, se se acusa alguém de ladrão e depois a ele se alia, de duas uma: ou ter-se-á praticado um crime (injuria, calunia, difamação) e aí cairia a reparação, pedido de desculpas, ou entrou no negócio. Estou certo ou errado?

O mesmo se dá nos paradoxos ideológicos de uma composição heterogênea dessas, o socialismo encontrando convergência com o capitalismo, o totalitário com o democrático, construções impossíveis e aqui não se trata de colocar em oposição principismo e realismo, em que, no limite, se pode até mesmo privilegiar episódios/eventos/pessoas em detrimento de processos.

E aí, aos prefeitos, caberia a pergunta: que razões teriam para trocar de legenda se seus mandatos seguem até 2016? E há apenas um ano foram eleitos por seus partidos? Ah, LA, diria o trânsfuga, é pelas obras, se não mudar para um partido do governo, a população será prejudicada!!! Então, aceita-se que o governo estaria fazendo a chantagem eleitoral com a população fazendo uso de recursos públicos?

Ainda que se conforme com essa aberração republicana e desvio de finalidade da função pública (uso da eleitoral da máquina pública), é necessário mais dados nessa equação. O governo que reclama falta de recursos (investimentos à míngua) – apesar da linha ascendente da arrecadação – é, talvez, uma das piores administrações já realizadas no Tocantins.

Escândalos se amontoam, responde um sem número de ações do Ministério Público, virou rotina paciente ter que pedir tratamento na justiça, não paga fornecedores, desconta plano de saúde dos servidores e não repassa para os prestadores de serviço e só tem até abril para contratar obras.

Significa que, pela legislação eleitoral, tem apenas cinco meses para conseguir aprovar e internar no Estado estes R$ 3 bilhões de empréstimos (os dois que já tem autorização mais esse que se discute) e realizar licitações e assinar os contratos para aplicá-los!!!! E o orçamento do ano que vem é de R$ 9 bilhões, que somados aos R$ 16 bi (2011/2012/2013) terá o governo em quatro anos administrado, só de recurso orçamentário, R$ 25 bilhões!!!!!! Conseguirá?

Como os prefeitos e deputados de bobo não têm nada, sabem tudo isso aí! Que motivos então teriam para trocar de partido sabendo que a mercadoria poderá não ser entregue? Qual seria a motivação para que eles (prefeitos e deputados) pagassem adiantado pela mercadoria? Sim, porque a situação remete a dividendos políticos que a pré-candidatura governista (centrada em Eduardo Siqueira Campos) obteve com as filiações conjuntas.

Senão, por que diabos juntavam todos os prefeitos para, num mesmo dia, confirmarem suas adesões? Então, é uma equação que, como se nota, faltam dados para o resultado. Ou então, o resultado já está dado. E aí é com os eleitores de seus municípios.

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