O sonho da casa própria de diversas famílias de Bom Jesus do Tocantins, veio ao chão juntamente com as paredes de suas casas construídas no setor Aeroporto.
Logo pela manhã centenas de moradores foram acompanhar de perto a reintegração de posse determinada pela justiça, que devolveu ao município a área que havia sido invadida.Algumas famílias, 35 no total, ganharam o direito de permanecer nos lotes, pois se enquadravam no perfil social da Secretaria de Assistência Social do Município. Dessas algumas já estão concluídas e habitadas, mas a maioria ainda está em fase de construção, apenas com baldrame.
A reintegração também foi acompanhada por diversos policiais militares e civis. A defensora pública de Pedro Afonso, Tereza de Maria, também acompanhou a ação e o cumprimento de um pedido da Defensoria para que algumas famílias permanecessem no local.
A defensora lamentou que um dos pedidos impetrados pela Defensoria, na qual, solicitava o adiamento por 30 dias da reintegração de posse, não ter sido acatado pela justiça.
Nós entramos com pedido para adiar por 30 dias a derrubada das casas, no entanto, a justiça não acatou nosso pedido”, lamentou.
Surpresa
Um episódio que surpreendeu os moradores presentes foi à derrubada de mais de 30 casas que estavam com baldrame construído. Anteriormente de acordo com o comunicado da Prefeitura e da Defensoria, apenas três casas seriam destruídas, no entanto, a cena que se viu foi de vários lotes com cercas sendo arrastadas e quebradas por um trator, e sonhos de várias famílias destruídos.
No total vieram ao chão quatro casas de palhas, quatro casas com paredes altas (com estrutura praticamente pronta), 35 casas com baldrame (a maioria tinha mais de 1m de altura), três casas habitadas.
Continuam
Apesar da tristeza para alguns que tiveram suas casas destruídas, alguns moradores ainda vão poder permanecer no local.
É o caso da família de José Luiz Dias, 56 anos, que mora com a esposa e mais três filhos em um barraco de lona.
Segundo o morador que atualmente está desempregado, após perder parte da visão, ele foi demitido da fazenda onde morava com a família e foi abrigado pelo cunhado.
José Dias, lamentou que algumas pessoas estejam sendo retiradas do local, mas fez questão de agradecer pela oportunidade de permanecer na casa.
“Eu não teria onde colocar minha família se fosse retirado daqui. Já trabalhei muito nessa vida, e após essa doença que estou enfrentando não tenho condições de trabalhar como antes. Infelizmente não são todos que permanecerão, mas graças a Deus minha família ainda tem um teto para dormir”, enfatizou. A dona de casa Sebastiana da Costa, 38 anos, também ganhou o direito de permanecer na casa de palha onde mora com o esposo. Ela está construindo uma nova casa no lote, mas em virtude dos poucos recursos a obra está parada.
Sebastiana disse estar aliviada por permanecer no local, mas não achou justo a forma com que as outras famílias foram retiradas dali.
Indignado
Um dos mais indignados com a retirada das famílias era o professor, Carlito Benício. De acordo com o professor que afirmou ter comprado um imóvel, onde residia com a família no local, por cerca de R$28 mil, a decisão foi injusta e trouxe um prejuízo de quase R$40 que foram investidos na casa.
Ele disse ter comprado a casa de um antigo morador, Amadeu Martins, 49 anos, que teria ganhado o lote do ex-prefeito do município, Jairton Castro.
“Não somos invasores, eu comprei essa casa e investi muito dinheiro aqui, é injusto o que estão fazendo com minha família. Pura perseguição política”, desabafou.
Para Carlito uma discussão com a prefeita do município resultou na derrubada de sua casa.
“Ela é perseguidora, foi porque discuti com ela que minha casa está sendo derrubada. Toda minha família abraçamos a campanha dela, inclusive de forma financeira e o que ganhamos em troca é uma desumanidade dessa”, frisou.
Engano
Outra moradora que estava inconsolável era a frentista, Ivone Ferreira Barbosa, 36 anos
Ela possuía um lote e estava com o baldrame da sua casa com pouco mais de um metro de altura.
Ivone era uma das beneficiarias da Prefeitura e mesmo assim a estrutura de sua casa foi derrubada. Ela só ficou sabendo porque foi comunicada por outros moradores.
“Eu sou mãe solteira e iria morar com meu filho, minha mãe e minha irmã nessa casa. Estava comprando os materiais aos poucos e o que já tinha construído se perdeu durante a desocupação da área”, finalizou.
De acordo com o lavrador a cena foi de cortar o coração.
“Não sábia nem o que dizer para meu filho que acabou vendo a casa que a gente ir morar ser destruída desta forma. Depois deste incidente não vejo mais motivo para continuar na cidade e pagar um aluguel tão caro, vou procurar trabalho em outra cidade”, destacou.
Prefeita lamenta reintegração
Por telefone a prefeita do município, Rosangela Barbosa (PSDB), lamentou o episódio. De acordo com a prefeita somente três casas seriam derrubadas. Ela negou ter conhecimento da demolição de outras casas.
“
Fiquei surpresa ao saber por funcionários da Prefeitura que outras casas estavam sendo derrubadas. Casas estas que estavam com o baldrame construído. Até onde fui informada seriam apenas três casas”, lamentou.
Ela afirmou que vai se reunir com todas as famílias que tiveram casas e estruturas construídas na invasão para procurar uma solução para o problema.
Rosangela disse estar decepcionada com os rumos que a situação tomou e lamentou que tenha acontecido durante sua administração.
“Estou decepcionada com tudo isto, não esperava que isto fosse acontecer na minha administração. Fiz tudo que pude para que isto não acontecesse. Infelizmente não posso passar por cima da justiça”, desabafou.
Fiquei surpresa ao saber por funcionários da Prefeitura que outras casas estavam sendo derrubadas. Casas estas que estavam com o baldrame construído. Até onde fui informada seriam apenas três casas”, lamentou.
Ela afirmou que vai se reunir com todas as famílias que tiveram casas e estruturas construídas na invasão para procurar uma solução para o problema.
Rosangela disse estar decepcionada com os rumos que a situação tomou e lamentou que tenha acontecido durante sua administração.
“Estou decepcionada com tudo isto, não esperava que isto fosse acontecer na minha administração. Fiz tudo que pude para que isto não acontecesse. Infelizmente não posso passar por cima da justiça”, desabafou.
Por: Eliezer Macedo
Fonte: portal é noticia

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