Denúncia deve ser levada em conta na análise de pedido feita por ex-ministro para trabalhar em hotel
A notícia sobre o “laranja” que preside a empresa administradora do Hotel Saint Peter poderá fazer com que a Justiça não autorize o ex-ministro José Dirceu a trabalhar no hotel. Ontem, dois ministros do STF – Marco Aurélio Mello e Gilmar Mendes – se manifestaram sobre o assunto. Gilmar recomendou cautela ao juiz que analisará o pedido de trabalho externo de Dirceu e Marco Aurélio afirmou que a sociedade merece explicação sobre o caso.
Segundo reportagem do Jornal Nacional, o hotel pertence a uma empresa do Panamá, a Truston International, que no papel é administrada por um auxiliar de escritório de uma banca de advocacia. Ritter mora num bairro pobre da Cidade do Panamá e, no papel, é sócio de mais de mil empresas. Na reportagem, ele disse sequer se lembrar da existência da Truston. Disse que não falaria mais nada, pois poderia perder o emprego.
A denúncia será levada em conta pelo Ministério Público do DF na análise do pedido de emprego de Dirceu. O Hotel Saint Peter ofereceu a Dirceu um cargo de gerente com salário de R$ 20 mil.
“É uma questão que precisa ser analisada com cautela pela Vara de Execuções Penais. Certamente, em entendimento com a relatoria do processo aqui no Supremo. O pedido é livre, mas, de fato, tem de haver bastante cautela por parte de quem decide, para que não ocorram abusos”, analisou Gilmar, que pôs sob suspeita a administração do hotel.
Marco Aurélio disse que, como cidadão, não vê a situação com bons olhos: “A explicação é à sociedade. Todos nós devemos contas à sociedade e cada qual adota a postura que é conveniente. Não chego a julgar o caso, porque não está retratado em um processo, mas, como cidadão, não vejo com bons olhos”.
No papel, a Truston Internacional é sócia majoritária do Saint Peter, mas o brasileiro Paulo Masci de Abreu é dono de um cota da sociedade. Hoje, a advogada de Abreu, Rosane Ribeiro, negou que o panamenho José Eugênio Silva Ritter atue como “laranja” na Truston. Segundo ela, o escritório de advocacia Morgan y Morgan, do Panamá, que ajuda na administração de empresas internacionais, constituiu a Truston International e indicou Ritter como diretor. Rosane disse que Ritter é funcionário do escritório há 40 anos.
O hotel já empregou Dirceu, mas o início do trabalho como gerente administrativo depende de autorização da Vara de Execuções Penais do DF. Para tomar uma decisão, os juízes levarão em conta parecer do Ministério Público. E as promotoras responsáveis vão ponderar o fato de o hotel ter um sócio com administrador “laranja”.
PERÍCIA
Um dos sete réus do mensalão que não teve o mandado de prisão expedido pelo STF, o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) fez ontem, no Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio, a perícia médica que vai decretar se a pena de 7 anos e 14 dias de prisão será cumprida em casa ou na cadeia. Jefferson foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por ter recebido R$ 4,5 milhões quando integrava a base de apoio do governo Lula no Congresso.
O ex-deputado chegou ao Inca por volta das 7h50, 40 minutos antes do horário determinado pelo presidente do STF, Joaquim Barbosa. No acesso à unidade, foi hostilizado por curiosos. Um deles gritou: “Olha o Lalau chegando!” O petebista foi operado em 2012 para a retirada de um tumor maligno no pâncreas.
(Agência O Globo)

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