Não são grandes exemplos. Não mexeram com a vida de tanta gente. Foram ações de quem fez porque acreditou que era o mínimo que deveria ser feito. No primeiro dia do ano, o Lado B conta exemplos de pessoas que fizeram o pouco valer muito e que reforçam que ainda dá para ter fé na humanidade.
Era agosto quando Renata Furtado, de 38 anos, ouviu o barulho do acidente na esquina da loja de calçados que tem, nas ruas Euclides da Cunha e Goiás. O relógio marcava 11h da manhã. “Era um casal de idosos japoneses, eu vi na hora que ocorreu, eles vinham na rua, pegaram uma moto e outro carro. Eles ficaram muito nervosos e a gente chamou eles para a loja, para conversar e dar água”.Naquela manhã a família toda acabou se achegando na loja. Todos estavam muito preocupados com o susto que o casal levou. Por sorte, ninguém se feriu gravemente. Renata estendeu a mão para as vítimas como fez em tantos outros acidentes. A esquina é palco de frequentes batidas. Mas nunca imaginou que a gratidão por algo que, para ela, era o mínimo, fosse virar presente.
“Depois disso, eles vieram com um presente agradecer. Eles criam codornas e trouxeram uma caixa cheia de ovos. Eu fiquei comovida, não pelo presente em si, mas pela atitude. Apesar de tanta coisa ruim, você vê que ainda têm pessoas que dão valor aos pequenos gestos”, explica. E foi uma coisa que a marcou.
Em novembro, o músico Lucas Brandão, de 22 anos, compartilhou com os amigos o que achou inacreditável. Depois de um dia de compras no shopping, ele esqueceu uma sacola da C&A, com uma camisa novinha, ainda etiquetada e com cupom fiscal. Havia custado R$ 39,90 e tinha ficado esquecida na escadaria do ponto do ônibus.
Quando se deu conta, Lucas parou no primeiro ponto e retornou à escadaria. A compra não estava mais lá. No shopping, ele procurou pelo setor de achados e perdidos, mas como fazia pouco tempo, ninguém havia entregue nada ainda. “Fiquei dando voltas pelo shopping, fui à loja, mas não tinha nada. Quando voltei ao achados e perdidos, estava lá. O mais legal é que foi um segurança que entregou, mas não tem segurança na escadaria. Alguém deve ter entregue para ele e ele levou lá”, descreve.
Hoje em dia, com as pessoas pouco se importando, o ditado que a gente ouve quando criança parece ser regra. “Achado não é roubado, quem perdeu é relaxado”.
Dias depois, foi a vez dele por a honestidade em prática e retribuir o bem anônimo que recebeu. Indo para o trabalho de bicicleta, Lucas achou na avenida Coronel Antonino, um celular Samsung Galaxy novinho. No aparelho havia várias ligações e a bateria já estava acabando. O músico tirou o próprio celular do bolso e dele retornou ao número que estava ligando. Era o esposo da mulher que havia perdido o celular. “Avisei para ele pegar comigo no meu serviço. Ele quis me dar R$ 20, o dinheiro da cerveja. Eu disse que não precisava. É a lei do universo, fizeram boa ação comigo e eu passando para frente”
O caso da empresária Rogéria Biela Coleti, de 52 anos, foi a emoção. Em junho deste ano, durante uma homenagem que recebeu, na Câmara de Vereadores da Capital, foi tocada pela orquestra de violeiros mirins, regida pelo maestro autodidata, Jorci. “Não conhecia o trabalho, o que me chamou atenção foi a netinha dele, de cinco anos, nem encostava os pezinhos no chao e estava tocando. Eu fiquei encantada. Ele sim, faz algo pela humanidade e me encantou ver essa doação dele, com o que ele tem ele passa o que sabe”, descreve Rogéria.
Por: Paula Maciulevicius
Campo Grande News

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