Marcelo Gomes de Oliveira, de 34 anos, comandava 17 pessoas no tráfico de drogas, das quais 14 estão presas. Em um ano, a quadrilha movimentou meio bilhão de reais com a venda de cocaína em Goiás e em Brasília. Mesmo com extensa ficha criminal, ele ainda conseguiu mudar de nome junto a justiça
Os olhos verdes de Marcelo Gomes de Oliveira, de 34 anos, deram nome a Operação da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc), denominada “Esmeralda”. No comando da maior organização criminosa de Goiás, Marcelo movimentou mais de meio bilhão de reais em um ano com o tráfico de drogas no Estado e em Brasília. Mais de R$ 80 milhões em bens foram apreendidos, entre imóveis de luxo, fazendas, armas, dinheiro, veículos e empresas.
A conclusão da operação foi apresentada nesta manhã de sexta-feira (8), na sede da Secretaria de Segurança Pública de Goiás. Dentro da Operação Esmeralda foram desencadeadas outras quatro, deflagradas de fevereiro a julho deste ano. Dois anos de investigação resultou na prisão de 15 pessoas. Três continuam foragidas.
Segundo as investigações, Marcelo foi condenado em 2000, a 21 anos de reclusão pelo crime de latrocínio – roubo seguido de morte, quando matou um balconista de padaria. Ele cumpriu pouco mais de três anos em regime fechado, progredindo ao regime semi-aberto, de onde fugiu. Depois que o processo – misteriosamente – sumiu do 4º Vara, o documento foi transferido para o Estado do Piauí, onde Marcelo nunca residiu.
Após sete anos em foragido, ele foi preso em flagrante delito e passou a responder a duas ações penais por tráfico de drogas. Mas após conseguir a sua liberdade provisória no ano de 2008, os processos desapareceram – novamente – do Poder Judiciário onde – só agora – estão sendo restaurados. O criminoso disse à polícia que um advogado fazia a intermediação dos casos e “sumia” com os processos.
De acordo com a polícia, Marcelo utilizava duas identidades falsas para comprar veículos e movimentar contas bancárias. Em 2013, ele protocolou uma ação de retificação de nome perante a Comarca de Aruanã, solicitando o acréscimo do prenome “José” ao seu nome verdadeiro. Mesmo com extensa ficha criminal, Marcelo Gomes de Oliveira passou a se chamar José Marcelo Gomes de Oliveira.
Na sentença de mudança de nome consta que a simples justificativa utilizada por Marcelo – e acatada pelo juíz Enyon Fleury – foi a de que desde criança o criminoso era chamado de José Marcelo.
Após dois anos de investigação da polícia, seguindo e acompanhando os passos de Marcelo, o criminoso foi preso na Operação Resgate, em maio, na mansão dele, em Brasília. (VEJA O VÍDEO) Na ocasião foram apreendidos veículos de luxo, várias escrituras, cheques, notas promissórias, contratos e extratos bancários que comprovavam a movimentação de milhões.
Na época, Marcelo foi levado para o Complexo Penitenciário da Papuda (DF) e há cerca de 10 dias foi transferido para o núcleo de custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, onde permanece até hoje. Operação Esmeralda Dentro da operação Esmeralda, a Polícia deflagrou outras quatro de fevereiro a julho desde ano. Ao todo 15 pessoas foram presas e três estão foragidas.
Foram apreendidos 819 quilos de pasta-base de cocaína, 10 armas de fogo, entre elas uma submetralhadora pertencente à Polícia Civil do Estado do Piauí, mais de 800 munições, 22 veículos – entre carros de luxo, motos esportivas e jet-ski – R$ 408 mil em espécie, mais de R$ 3 milhões em cheques, duas fazendas, 1.560 cabeças de gado, dois postos de gasolina e um em construção, uma empresa de factoring, tratores, uma mansão em Brasília, mais de dez imóveis em Goiânia, além de 16 contas bancárias bloqueadas.
Todos os bens apreendidos atingem cerca de R$ 80 milhões. O delegado Odair José Soares, que esteve a frente das investigações, afirma que espera que esse valor, uma vez sequestrado pela justiça, seja revertido na recuperação de usuários de drogas. “Isso pode aliviar um pouco o mal que ele causou a sociedade. Sendo o maior distribuidor de cocaína de Goiás, ele é o responsável pela destruição de vários jovens e famílias”, ressaltou. De acordo com Odair, foram dois anos de investigação até deflagrar a primeira Operação denominada “Abre-alas”.
A ação ocorreu em fevereiro de 2014 e resultou na maior apreensão de pasta-base de cocaína da história do Estado de Goiás, 452 quilos. Na ocasião, Erly de Rezende e Vando Célio Pereira dos Santos foram presos no município de Aragarças. Eles eram os responsáveis por transportarem a droga do Mato Grosso – onde compravam – para Goiás. Em maio a polícia deflagrou simultaneamente as operações “Resgate” e “Prime”, respectivamente no Distrito Federal e em Goiás. Na primeira, Marcelo Gomes – líder da organização criminosa – foi preso, além de Wender Cambraia de Souza e Joaquim Viana Costa, que eram os homens de confiança. Os dois estavam com uma camionete L 200 que tinha o fundo falso para o transporte da droga, além de mais de 160 quilos de cocaína, armas e dinheiro. Na sequência, foi desencadeada em Goiânia a operação “Prime”, que culminou com a prisão José Carlos Moreira da Cunha, que seria o gerente da quadrilha – braço direito de Marcelo.
Também com ele, a polícia apreendeu drogas, dinheiro, armas, veículos de luxo, além de vários documentos que mostravam a movimentação com o tráfico. José também era o responsável pelo controle do dinheiro, do estoque de drogas, da aquisição de dólares, de veículos e do gerenciamento de imóveis construídos ou em construção Por fim, foi deflagrada a operação “FEUDO 33”, no dia 14 de julho e que cumpriu 10 mandados de prisão e 16 de busca e apreensão.
“Nessa etapa nós buscamos identificar e individualizar as condutas dos integrantes, que praticavam atos secundários no tráfico de drogas ou na lavagem de dinheiro”. Outros bens da quadrilha foram apreendidos. Maria de Fátima da Silva, Weulas Gomes dos Santos – que tinha uma procuração para movimentar as contas bancárias e administrar alguns bens – e Wagner Barbosa e Silva continuam foragidos.
Atuação quadrilha Segundo o delegado, no período de um ano foram 18 carregamentos, que movimentou 9,8 toneladas de pasta-base de cocaína. A movimentação financeira anual registrou R$ R$ 83 milhões de reais. “9,8 Toneladas de pasta base, se refinadas a qualidade média daria 68,6 toneladas de cocaína pó, que vendida no atacado renderia mais de R$ 548 bilhões de reais”, enfatizou o delegado. De acordo com Odair, a organização criminosa era compartimentada, profissionalizada e estruturada financeiramente.
“Os integrantes possuíam aparelhos celulares e números que eram utilizados para conversarem somente entre si, sendo proibida a utilização para a conversa com terceiros. Estes aparelhos e números eram trocados a cada 20 ou 30 dias”, explicou. Foram apreendidos com os integrantes mais de 100 aparelhos celulares e chips. O delegado contou que para o transporte da droga eram utilizadas caminhonetes novas e potentes, registradas em nome de laranjas ou nomes falsos e emplacadas na cidade de Barra do Garças-MT, “pois assim transitariam sem chamar atenção pelo estado do Mato Grosso”, completou Odair. Os presos responderão de acordo com sua participação pessoal na atividade criminosa da organização, sendo tráfico e associação para o tráfico, fomentar e financiar o tráfico de drogas, organização criminosa, falsificação e uso de documento falso, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, dentro outros. Homicídio O delegado informou que em conversas telefônicas Marcelo afirmou para os companheiros que pretendia tentar matar o segundo homem do tráfico de Goiás, conhecido como Andrezinho, que já foi preso com um arsenal de armas. “Não sabemos o certo como ele ia fazer isso, mas que ele já estava planejando executar o crime” finalizou.

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