Lembro-me do debate entre os candidatos à Presidência da República, promovido pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB. Naquela ocasião, a candidata Luciana Genro deu uma lavada de cara espetacular, o inconsistente, Aécio Neves. Pelo que podemos observar, milhares são os sujos falando do mal lavado nesta Terra de Vera Cruz. Chegando agora do Nordeste, não foi uma, nem duas demonstrações de corrupção. Foram várias, porém, todas travestidas da esperteza, onde uns estúpidos se julgam muito mais capazes do que os outros.
Para quem não sabe, o termo tem vários significados, entre eles, o que indica que é o ato de alterar as propriedades originais de determinado objeto. Traduzindo, é o ato de impedir que outra pessoa usufrua o direito de usar determinada matéria, para proveito próprio. O verbete indica também a adulteração de determinada mercadoria para obtenção de lucro. Enfim, são diversos os casos em que a corrupção entra em ação a benefício de uns, em detrimento do direito de outros.
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| Situação comum no atendimento informal ao turista em determinadas cidades do país. (Foto: internet/reprodução) |
E nessas férias ficou muito claro que o hábito de tirar proveito deixando o próximo em desproveito do que lhe pertence é muito arraigado na mentalidade do brasileiro. Para começar, é muito difícil que numa cidade que explora o turismo, guias, agentes ou prestadores de serviço tenham uma palavra no ato da divulgação do produto e a mantenha no momento de fechar o negócio. Passei por isso várias vezes. Senti vergonha por essas pessoas.
Mas um fato me deixou muito pensativa, pelo simples detalhe de que ocorreu na volta da Capital Federal, cometido por quase totalidade dos passageiros do voo que me trouxe de volta para casa. As companhias aéreas são muito objetivas ao explicar quanto às condições para o embarque com bagagens de mão. São em número de duas, com limite de peso. Entretanto, o que assisti me deixou de queixo caído. Tinha passageiro com três e até quatro bagagens à bordo da aeronave. O mais interessante era a sensação como se fosse muito bacana assistir os demais chegarem e não terem como acomodar seus pertences, porque os espertos já tinham lotado os compartimentos.
A desculpa é uma só. Alguns passageiros, que têm o glamour de viajarem de avião com frequência, desenvolveram técnicas de distribuir a bagagem em bolsas pequenas para poder embarcá-las junto a si e não precisarem enfrentar as filas para o desembarque em solo. É compreensível esse sistema, desde que não prejudique os demais passageiros, que da mesma forma pagaram por suas passagens e não têm culpa se estes são obrigados a enfrentar a rotina de voos e aeroportos semanalmente, por exemplo.
O que me horrorizou, na verdade, é que são essas pessoas que estufam o peito e as veias do pescoço para praguejar contra a corrupção em Brasília. São os donos da verdade, que aclamam a falta de escrúpulos do Partido dos Trabalhadores e da Presidência da República, como se tivessem moral para julgar alguém. Causa-me nojo, observar como a vida melhorou neste país, mas como ainda vai ser difícil moralizar essa gente.
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| O bobo que embarca no final tem que viajar com pouco espaço para suas pernas. (Foto: internet/reprodução) |
Para quem não sabe, só tem permissão para condenar o outro, aquele que não tem culpa no cartório. Se não me engano, um certo Homem foi interpelado pela multidão que estava para apedrejar uma pecadora. Hábito muito comum ainda nos dias atuais. Os executores da sentença, de lapidação das mulheres adúlteras até a morte, O questionaram se era lícito ou não que a apedrejassem, visto que a Lei determinava que assim fosse feito. A intenção era uma apenas. Deixá-lo em saia justa, pois se afirmasse que não, estaria contra a legislação em vigor, se dissesse que sim, estaria contra os princípios de amor e justiça que pregava.
Sua resposta magnânima tapou a boca de saduceus e fariseus, além de que um a um foi deixando a pedra que carregava no chão e se retirando. O detalhe maior foi que a iniciativa começou dos mais velhos, ou seja, daqueles que tinham pecado mais durante a vida. A resposta? Elementar. Atire a primeira pedra, aquele que estiver isento de pecado. Esta máxima do Cristo é de uma profundidade sem limites, visto que a vontade de julgar e condenar é muito superior à nossa capacidade de fazer a coisa certa. Por isso, até hoje, assistimos a cenas lamentáveis de corrupção, no dia a dia.
O meu objetivo aqui não é tentar isentar quem quer que seja dos crimes contra o patrimônio público do povo brasileiro. Quem é corrupto tem que pagar pelos seus atos, mesmo porque, somente as punições é que vão dar um fim nesta baderna toda. O intuito com esse texto é mais uma vez alertar ao leitor de que o combate à corrupção não é uma atividade restrita às instituições de Brasília e do Brasil. Ele é sim, uma atividade diária e individual, mesmo porque, se os políticos são representantes do povo, é pelo fato de que o povo é corrupto e não somente os políticos. Afinal de contas, os semelhantes se atraem de forma que gente honesta não vota em gente desonesta e vice-versa.
Finalizando, é importante destacar que o país é um todo composto por vários entes mínimos. E são estes que têm o poder de combater essa praga de forma eficaz. E o que é melhor: tem-se duas formas de fazê-lo. A primeira é votando com responsabilidade, mesmo porque, votar no sujeito que vai te arrumar uma boquinha, por si só, já é corrupção. A segunda é fazendo a sua parte no processo de moralização, ou seja, respeitando os direitos dos outros, para que os outros não se sintam no direito de desrespeitar o seu.
Muita paz e alegria a todos!
Por: Zilda Assis
Fonte: Porque Gente Assim




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