A única vitória esmagadora e soberana possível

MG MOREIRA
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Todos querem o troféu, mas poucos sabem como conquistá-lo.
(Foto: internet/reprodução)
A única vitória esmagadora e soberana possível não está nas urnas, nem nos campos de futebol ou quadras de esporte. Ela está na batalha silenciosa que podemos travar em nós mesmos diariamente, até que estejamos livres das amarras do Ego. Esses momentos, em que ele se encontra inflamadíssimo, exigem uma reflexão urgente do quanto perdemos tempo por disputas que não nos pertencem.

O país atravessa uma época em que as pessoas sairam do sistema escravagista para o reino das opiniões e personalidades fortes. No primeiro, só existem dois lados: o dos que mandam e o dos que obedecem. No segundo, que ainda está em implantação, todas as pessoas aprenderam que podem ter suas próprias maneiras de pensar. Tropeçam muito ainda no quesito compreensão e respeito.

Talvez pelo fato da população brasileira ter passado tanto tempo no sistema casa grande e senzala, a nova realidade dependa de muitos ajustes, quando o assunto é convivência. Até os primeiros anos do novo milênio, o povo não tinha direito de pensar, nem de estudar, muito menos de se expressar, com obrigação apenas de trabalhar feito burro e ficar calado. Era o reino do uso da força, implantado nos tempos da Colônia e perpetuado até então quando não existia acesso fácil à educação, saúde e a humilhação por questões sociais, econômicas e raciais.
O grande vencedor se ergue além da dor. (Foto: internet/reprodução)
Atualmente não. Além do acesso ao emprego e educação democratizada e universalização da informação via internet, o povo desperta para o poder que tem. Entretanto, esse despertar ainda vem repleto de ressentimento e necessidade de autoafirmação. Vejo esse vigor na defesa de opiniões como algo muito positivo, afinal de contas, foram séculos de obediência cega e forçada.

O problema, porém, é que o crescimento assinalado no período levou grande parte dos brasileiros a entrar em litígio por ter certeza de que sua opinião é a única válida. E neste ponto, colocaram-se em um jogo da velha, onde a cada lance de um, há um contra lance do outro e assim vai sucessivamente. E o impasse acaba sendo o resultado soberano. E o que é pior. Os ânimos se exaltam e a razão desaparece em definitivo, sem que o ponto central da discussão seja dirimido.
O desafio de vencer a si mesmo é solitário e silencioso.
(Foto: internet/reprodução)
Por isso, insisto no ponto de que a única vitória esmagadora e soberana  possível é do indivíduo sobre si mesmo. Não importa convicção política. Não importa qual o time do coração. Não importa se a flexibilidade do rabo da lagartixa anda comprometida. O que conta, na verdade, é o esforço que se faz para conhecer-se e para ajustar o que está fora do ponto em si mesmo.

Lembremos sempre que a mudança é como o voto, individual, inviolável e intransferível, de maneira que é impossível tentar mudar o outro. Se alterar o que nos desagrada em nós é uma missão hercúlea, imagina modificar o comportamento alheio, que não está ao nosso alcance? Sim. É inviável.

Mas é uma premissa totalmente possível, embora tão pedregosa. Basta conscientizar-se de que o caminho é longo e constante. Importante ter sempre em mente que em vários momentos, surgirá a vontade de desistir, bem como vários retrocessos. Que tenhamos paciência, humildade e confiança de que, quando um ser humano deseja o progresso individual, ninguém, jamais, poderá detê-lo, pois nesse caso, a vitória é esmagadora e soberana.
Por: Zilda Assis
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