A expansão desenfreada das esmolas estatais há muito viciou o cidadão. Até no primeiro mundo, esse tipo de programa cria famílias parasitárias, sem ânimo para procurar emprego. Até porque os empregos aos quais conseguem concorrer costumam ser árduos e mal pagos. Muitos acabam desistindo de procurar emprego fixo, preferindo conciliar a esmola do governo com bicos sazonais. Em maio deste ano, uma pesquisa do próprio IBGE mostrou que o desemprego no Brasil só está relativamente baixo (em torno de 6%) porque 39% das pessoas em idade de trabalhar – ou seja, assombrosos 62 milhões de brasileiros – nem procuram emprego. Como não há fome subsaariana visível, a maioria só pode estar dependurada em programas governamentais. E isso só foi possível porque a oposição consentiu, disputando o Bolsa-Família com o governo petista quando deveria ter criticado seu inchaço. A sorte da oposição é que, por uma questão de sobrevivência, o pobre pode ser desinformado, mas é astuto e já percebeu que governo nenhum terá coragem de acabar com as esmolas estatais. O carisma bonachão de Lula vale muito mais do que o terrorismo eleitoral de Dilma. Se Aécio souber vencer em simpatia, não há bolsa-família que segure sua vitória.
Do jornal Opção


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