Polícia confirma que seis mulheres foram mortas pela arma encontrada com suspeito

MG MOREIRA
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A declaração foi feita durante apresentação do suspeito, na manhã de hoje, no auditório da Secretária de Segurança Pública, no Setor Aeroviário, em Goiânia

A Polícia Civil apresentou na manhã desta quinta-feira (16/10) o vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha, de 26 anos, que é apontado como o autor de 39 mortes em Goiânia, entre elas, as 16 investigadas por uma força-tarefa da corporação.

Segundo o Instituto de Criminalística da corporação, seis das vítimas foram mortas por projéteis que partiram da arma que foi presa com o suspeito. A declaração foi feita durante apresentação do suspeito, na manhã de hoje, no auditório da Secretária de Segurança Pública, no Setor Aeroviário, em Goiânia.

A polícia também mostrou a motocicleta encontrada com o supeito. Outros objetos foram apreendidos na residência de Tiago, como roupas e tênis. Segunda a polícia, ele estava vestido com essas peças quando cometeu os crimes.

O delegado que coordena os trabalhos da equipe, Deusny Aparecido, disse que ele é uma pessoa “fria”: “Matava por raiva, raiva de tudo e de todos. Matava aleatoriamente, ele nunca teve vínculo com nenhuma dessas vítimas. Poderia ser eu, você, nossos filhos”.

A polícia afirma que há cerca de um mês as investigações já apontavam para o suspeito como autor dos crimes, mas ele só foi preso na terça-feira (14/10), na Avenida Castelo Branco, na capital. Na residência dele também foi apreendido um revólver calibre 38.

Investigação


Apesar de no início das investigações ter afirmado ter convicção de não se tratar de um único autor das mortes de mulheres, a Polícia Civil disse agora que há cerca de um mês já tinha elementos suficientes que apontavam o vigilante como o assassino nos crimes investigados pela força-tarefa.

Dentre as provas reunidas, estão imagens de câmeras de segurança que, segundo a polícia, mostram que o homem tentava despistar a polícia usando uma capa vermelha sobre o tanque da moto de cor preta.

Outras provas apresentadas pelos policiais são roupas apreendidas na casa do suspeito que coincidem com as filmagens de câmeras de segurança, além de objetos como uma faca e um martelo usados para cometer os homicídios.
Bárbara, Wanessa, Juliana, Janaina, Taynara e Isadora foram algumas das vítimas do suposto serial killer em Goiânia, Goiás (Foto: Arquivo Pessoal)Bárbara, Wanessa, Juliana, Janaina, Taynara e Isadora estão entre as jovens mortas (Foto: Arquivo Pessoal)
Também nesta quinta-feira, a Polícia Técnico-Científica afirmou que os resultados de exames de balística da arma apreendida com Thiago coincidiram com os disparos efetuados em seis homicídios de mulheres na capital. De acordo com a técnica em balística Tatiane Pires Batista, houve compatibilidade nos casos de Ana Lídia de Souza e Isadora Aparecida Cândida dos Reis, ambas de 15 anos, Juliana Neubia 22, Rosirene Gualberto, 29, Taynara Rodriguez da Cruz, 13, e Thamara da Conceição Silva, 17.
Vítimas
Dentre os crimes confessados pelo vigilante, 14 eram investigados pela força-tarefa. Dois dos crimes investigados pela equipe não foram assumidos pelo homem: a morte de Danielly Garmus da Silva, 23 anos, e a tentativa de homicídio de Daiane Ferreira de Morais, 18.


Entretanto, ele confessou outras duas mortes de mulheres que eram apurados de forma independente e, após a confissão, a polícia os incluiu na força-tarefa. São eles os homicídios de Arlete dos Anjos Carvalho, 16, e de outra mulher identificada apenas como Edimila, mas que a polícia não detalhou o caso.

Outros oito homicídios confessados são de homens moradores de rua. Quinze mortes assumidas pelo homem ainda estão sendo apuradas pela polícia, que não especificou o sexo e outras informações das vítimas. Os crimes foram cometidos a partir de 2012.

Segundo Deusny, durante o depoimento, o homem lembrou com detalhes de todos os crimes. Ele citou, por ordem cronológica, os assassinatos, mas não lembra o nome de todas as vítimas.
Mapa dos assassinatos em Goiás (Foto: Arte/ G1)
Mortes de mulheres


O primeiro crime da série de assassinatos contra mulheres em Goiânia ocorreu em 18 de janeiro deste ano, quando Bárbara Luiza Ribeiro Costa, de 14 anos, foi executada por um motociclista no Setor Lorena Park. A morte mais recente foi a de Ana Lídia Gomes, baleada em um ponto de ônibus no Setor Conjunto Morada Nova, no dia 2 de agosto. Um motociclista passou pelo local e disparou contra a garota, que não resistiu aos ferimentos.

Entre as outras mortes investigadas pela força-tarefa estão a da dona de casa Lílian Sissi Mesquita e Silva, de 28 anos, em 3 de fevereiro, e a de Janaína Nicácio de Souza, de 25 anos, morta no dia 8 de maio. Todas as vítimas de série de assassinatos eram jovens, mas não tinham perfil parecido.

De acordo com a polícia, dentre os demais crimes cometidos pelo homem, estão mortes de moradores de rua e homossexuais. Os outros homicídios de mulheres não assumidos pelo homem, segundo a Polícia Civil, continuarão sendo investigados.


No ano passado, o Ministério Público Estadual ofereceu denúncia contra o vigilante por furtar uma placa de uma motocicleta no estacionamento de um supermercado de Goiânia. Imagens de câmeras de segurança mostram ele cometendo o crime.

Também no ano passado, ele foi preso em flagrante em uma motocicleta com placa roubada, mas foi solto. O caso foi registrado no 5º Distrito Policial.

Segundo a Polícia Civil, o jovem foi identificado em imagens registradas por câmeras de segurança no último domingo (12), próximo à lanchonete em que uma mulher foi agredida por um motociclista. O caso foi incluído na força-tarefa.

Segundo testemunhas, o motociclista de capacete vermelho atirou na jovem, mas a arma falhou. Então, ele deu um chute na boca dela.

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