As construtoras e doações via comitê financeiro da campanha sem identificação de origem são as principais fontes de captação de recursos da disputa eleitoral para o governo do Tocantins em 2014.
É o que revela levantamento do CT a partir dos dados da prestação de contas divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O levantamento usou a prestação de contas dos candidatos e de seus comitês, que entregam dados separados à Justiça Eleitoral. Na campanha do governador eleito Marcelo Miranda (PMDB), que declarou receita de R$ 7,2 milhões, as construtoras injetaram mais
As doações do comitê financeiro e da direção nacional do PMDB, que aparecem no sistema do TSE sem identificar o nome do doador originário, passam de R$ 1,3 milhão e representam 19,2% da arrecadação. Somados, equivalem a 47,97% do que Marcelo recebeu durante a campanha.
Já Sandoval declarou ter arrecadado R$ 12.071.888,62. Desse valor, 86,94% veio do Comitê Financeiro Único (R$ 10,4 milhões), dos quais a maior parte não tem origem identificada no sistema do TSE. Depois do comitê, o principal doador foi o próprio candidato, com pouco mais de R$ 1,1 milhão (9,48%).
Construtoras
Tomada individualmente, a principal doadora do governador eleito é a Empresa Sul Americana de Montagens S/A (Emsa), que injetou R$ 1,5 milhão na campanha do peemedebista. A empresa faz parte do consórcio denunciado, junto com o governador, em 57 ações civis de improbidade administrativa pelo Ministério Público Estadual (MPE), por supostas irregularidades em construções de pontes nas gestões anteriores dele.
Depois do segundo maior doador, o Comitê Financeiro Único, cujos repasses sem identificação de origem somam R$ 1,3 milhão, aparece a cervejaria Ambev (razão social CRBS) com R$ R$ 406,1 mil seguida pelo Banco Bradesco, com R$ 400,4 mil.
Comitê do PMDB
O comitê financeiro do PMDB declarou receita de R$ 7,3 milhões. Assim como o candidato, a principal linhagem de financiador da campanha do partido é de construtoras, que doaram R$ 2,2 milhões, o equivalente a 30,4% do total declarado.
A segunda maior fonte de receita foram instituições financeiras e bancos, com R$ 1,2 milhão, ou 16,3%. Logo em seguida aparecem as mineradoras R$ 800 mil (10,8%) e as empresas alimentícias com R$ 770 mil (10,4%). Fechando a lista das cinco principais fontes, as pessoas físicas (doadores individuais) irrigaram o partido com R$ 603,3 mil (8,2% do total).
Tomados em separados, os maiores financiadores do PMDB no Tocantins são a família Bradesco (a Bradesco Capitalização) e a Construtora OAS, ambas com doação de R$ 1 milhão.
A Construtora Marquise, Emsa e a cervejaria Ambev aparecem em seguida com R$ 500 mil cada. Depois a empresa alimentícia Pão da Hora, com doação de R$ 470 mil, fecha a lista dos principais financiadores do partido.
Sandoval
O governador Sandoval Cardoso, derrotado na disputa com Marcelo Miranda, declarou ter arrecadado R$ 12.071.888,62. Desse valor, 86,94% veio do Comitê Financeiro Único (R$ 10,4 milhões). Depois do comitê, o principal doador foi o próprio candidato, com pouco mais de R$ 1,1 milhão (9,48%).
Contudo, os recursos repassados via comitê financeiro, em sua maioria, não têm origem identificada, pois não aparecem os nomes dos doares no sistema do TSE. A arrecadação nessa forma foi de mais de R$ 3,2 milhões, representando 31,11% de toda a receita repassada ao candidato via comitê.
O segundo financiador do candidato é a empresa do cunhado dele, Kaká Nogueira, a KK Máquinas, de Goiânia. A empresa doou R$ 1,1 milhão (10,91% do que o comitê lhe repassou).
Considerando a origem dos recursos em relação ao total, depois dos recursos sem origem explícita (27,05% dos R$ 12 milhões arrecadados), as construtoras representam a segunda maior fonte de receita da campanha do governador: R$ 3,2 milhões foram doados por empreiteiras. Representam 26,67% de toda a arrecadação total.
Depois vêm as empresas de revenda de máquinas, com R$ 1,9 milhão. Doações de pessoas físicas representam 13% da arrecadação (1,5 milhão), seguido de supermercados (8,27%) com doações de R$ 998, 4 mil.
Comitê Solidariedade
No comitê do Solidariedade, partido de Sandoval, a maior origem das doações veio das construtoras, que financiaram 57,51% de tudo que o comitê arrecadou. Representam R$ 7,5 milhões do total de R$ 13,1 milhões declarados como receita.
A segunda fonte vem dos supermercados, com 14,62% do valor levantado, o que equivale a R$ 1,9 milhão.
A terceira fonte vem do setor de máquinas e logísticas que doou R$ 1,7 milhão ou 13,35% do total.
Os postos de combustíveis foram a quarta fonte de receita, com R$ 860,6 mil (6,57%).
Individualmente, o maior doador para o comitê foi a empresa Teodoro e Teodoro Ltda (Supermercado Meio a Meio), com R$ 1,9 milhão.
A empresa de Kaká Nogueira (Alvicto Ozores Nogueira e Cia Ltda), coordenador da campanha de Sandoval doou R$ 1,8 milhão. Em seguida aparecem a construtora goiana JL Comércio e Equipamentos Ltda, com R$ 1,7 milhão, e a construtora paulista Jofege Pavimentação e Construção, com doação de R$ 1 milhão.
FONTE:CT

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