Ministério Público denuncia Adriano por tráfico de drogas

MG MOREIRA
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Em julho de 2008, logo após voltar ao Brasil para defender o São Paulo, o craque deu de presente uma moto para o chefão do Morro da Chatuba

O Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro denunciou, na tarde desta terça-feira, o atacante Adriano, o Imperador, pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. Em julho de 2008, logo após voltar ao Brasil para defender o São Paulo, o craque deu de presente uma moto para o chefão do Morro da Chatuba, no Complexo da Penha, Paulo Rogério de Souza Paz, conhecido como Mica. Agora, o juiz da 29ª Vara Criminal é quem vai decidir se aceita a denúncia. Se isso acontecer, Adriano poderá ser condenado a até 15 anos de prisão.

A moto, modelo Hornet 600, foi comprada em uma loja no bairro de Vicente de Carvalho, na Zona Norte, por 35 000 reais. Na verdade, o jogador adquiriu duas: uma ficou com ele em São Paulo, e a outra foi colocada em nome de Marlene Pereira de Souza, uma senhora analfabeta, que jamais teve carteira de motorista, mas que era mãe do traficante.

Além de Adriano foram denunciados o próprio Mica e um amigo do jogador, Marcos José Oliveira. De acordo com a denúncia do promotor Alexandre Murilo Graça, foi Marcos que, "sob as ordens e de posse dos documentos pessoais e de um cartão de crédito do primeiro denunciado (Adriano Leite Ribeiro) foi até a empresa Motocar – Moto Carioca Ltda, localizada na Rua Intendente Magalhães, nº 739, em Vicente de Carvalho, local onde adquiriu duas motocicletas Honda, modelo CB600 (uma na cor preta e outra na cor vermelha, numa clara alusão ao clube de preferência do 1º denunciado)", descreve.

O uso frequente de motos por parte de criminosos é base para a denúncia feita pelo MP. "​Os traficantes necessitavam de veículos velozes, em especial motocicletas, pela agilidade no tráfego, que fossem legalizados e não levantassem suspeitas quando transitassem fora das comunidades dominadas pela organização criminosa. Nesse contexto, os denunciados e Paulo Rogério  entabularam a aquisição das motocicletas CB 600, sendo que estas não poderiam ser apreendidas, uma vez que proveniente de valores em tese recebidos de forma lícita pelo primeiro denunciado e com a documentação formalmente regular", descreve o promotor.

Os envolvidos também responderão por falsificação de documentos. O caso, denunciado em 2010 pelo jornal carioca O Dia, foi investigado pela 22ª DP (Penha). Lá, ela disse que emprestou alguns documentos mas não tinha ciência do negócio que estava sendo feito

Algumas das pisadas de bola de Adriano

Agosto de 2004
Um mês após ajudar a seleção brasileira conquistar a Copa América, morreu seu pai, Almir Leite Ribeiro. Segundo pessoas próximas, o jogador nunca foi mais o mesmo depois desse episódio, teve momentos de depressão e se aproximou da bebida.

Outubro de 2006
Em má forma na Inter de Milão, é liberado para descansar no Ri, mas foi visto em bailes funk e andando pelas ruas da cidade na garupa de uma moto. Dias depois, virou manchete de um jornal sueco, que divulga fotos em que aparecia  cercado de mulheres, fumando e consumindo bebidas alcoólicas.

Dezembro de 2007
Foi eleito, pelo segundo ano consecutivo, como o pior jogador da Itália pela rádio RAI 2, que concedeu o prêmio 'Bidone D'Oro', ou Privada de Ouro. Recebeu mais de 13.000 votos.

Fevereiro de 2008
No CT do São Paulo, Adriano chegou atrasado a treino, ameaçou um fotógrafo e deixou o CT sem autorização da diretoria. Após ser repreendido, pediu desculpas.

Abril de 2009
Após sumiço, seu empresário Gilmar Rinaldi o encontrou no Rio e desmentiu boatos que teria sido morto. Dias depois, Adriano anunciou que pararia de jogar por tempo indeterminado: “Perdi a alegria de jogar”, disse.

Maio de 2010
Uma semana após acertar sua ida para a Roma, fotos de Adriano segurando um fuzil e mostrando com as mãos a sigla CV, iniciais da facção criminosa Comando Vermelho, são publicadas pelo jornal 'O Dia'.

Maio de 2010
Falta à sua segunda convocação para prestar depoimento sobre acusação de envolvimento com traficantes da Vila da Penha, zona norte do Rio. Ele foi citado em conversas por telefone entre traficantes que comentavam uma doação de 60.000 reais a Fabiano Atanásio, chefe do tráfico na Vila Cruzeiro, favela onde Adriano cresceu.

Março de 2011
Deixa a Roma nove meses após chegar ao clube e sem marcar gols. Contusões, brigas e confusões fora de campo marcaram sua passagem. Além de se apresentar ao clube com quatro dias de atraso, em um dos episódios se recusou a entrar em campo contra a Inter de Milão, seu ex-time, em um jogo válido pelo Campeonato Italiano.

Dezembro de 2011
Na véspera do Natal, Adriano se envolveu em uma confusão no Rio, após um disparo de uma pistola ferir a mão da jovem Adriene Cyrilo, de 20 anos, dentro de seu carro. Adriene admitiu que ela foi a autora do disparo.

Janeiro de 2012
Ele falta ao treino alegando que não conseguiu pegar voo a tempo. Adriano passou o fim de semana no Rio de Janeiro, segundo ele para celebrar o aniversário da mãe. Foi multado

Fevereiro de 2012
Na semana anterior à partida entre Corinthians e Cruz Azul, no México, em 7 de março, chegou ao treino com sinais de embriaguez, por três dias consecutivos, irritando o técnico Tite. Ele se recusou a participar da pesagem de rotina e o clube, em seguida, decidiu pelo encerramento do contrato.

Março de 2012
Após demitir Adriano por justa causa, Corinthians divulgou um relatório com 67 infrações cometidas pelo jogador, entre elas  apresentar-se embriagado. A lista inclui ainda faltas aos treinos e às sessões de fisioterapia.


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