Ameaça de extinção - Para tentar salvar espécie, tatu-bola é transportado de helicóptero para Brasília

MG MOREIRA
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O animal será transportado do Ceará para Brasília, onde receberá todos os cuidados necessários

A Associação Caatinga (Ceará) promoveu, nesta segunda-feira (26), uma ação inédita no esforço de salvar a espécie Tatu-bola(Tolypeutes tricinctus)  de extinção. O animal resgatado nas proximidades da Reserva Natural Serra das Almas, mantida pela Associação Caatinga no município de Buriti dos Montes, no Piauí. O animal será transportado para o Zoológico de Brasília, onde receberá os devidos cuidados sendo a manutenção do animal essencial para o desenvolvimento de pesquisas científicas que deverão contribuir diretamente para a conservação da espécie.
“É um tatu macho saudável. Temos de levá-lo para Brasília porque devido ao desmatamento e degradação da caatinga, ele não tem um ambiente ideal aqui. Por isso, foi criada uma estrutura no zoológico de Brasília para recebê-lo e dar todo o cuidado necessário”, explica o diretor e coordenador-geral da Associação Caatinga Rodrigo Castro. O processo de transferência será acompanhado por Flávia Miranda, médica-veterinária e coordenadora científica da Associação Caatinga e Mariana Catapani, especialista em comportamento de animais silvestres que avaliará a adaptação dos tatus ao novo lar.
A primeira fase da estadia do tatu será em cativeiro, onde uma equipe desenvolverá estudos sobre o comportamento e a biologia do animal, que favorecerão na preservação da espécie. Se tudo correr bem e os estudiosos encontrarem uma espécie fêmea partirão para a segunda fase, que é de reprodução em cativeiro. “Todo esse esforço é fundamental para alertar sobre a importância da espécie e também do seu habitat, a caatinga”, destaca Rodrigo Castro.
Ameaça de extinção

Atualmente, o Tatu-bola encontra-se na categoria “Em Perigo” na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção (International Union for Conservation of Nature – IUCN, 2013), por conta de perda de cerca de 50% do seu habitat nos últimos 10 anos. Estima-se que a população de tatu-bola tenha sofrido uma redução de pelo menos 30% no mesmo período devido ao desmatamento e a caça. Dessa forma, torna-se urgente a busca por informações que venham gerar um conhecimento maior e atualizado sobre os aspectos comportamentais da espécie. Se nada for feito para a conservação da espécie, em 50 anos o tatu-bola poderá estar extinto na natureza.
Novo lar
O zoológico de Brasília possui uma vasta experiência com manejo de diversas espécies de tatus, daí a escolha específica por esse zoológico. “Temos um corpo técnico qualificado e como prioridade de trabalho o manejo de animais considerados ameaçados de extinção pela lista vermelha, com foco na reprodução para viabilização de uma população saudável de cativeiro que possa atuar em futuras reintroduções, caso for necessário, afirma Filipe Reis, diretor curador da Diretoria de Mamíferos da instituição.
O recinto que receberá o tatu-bola tem 40 m² sendo composto por uma área gramada e uma área de areia com dois cambiamentos e uma maternidade com solário e área adicional de 6,5 m². Também são disponibilizadas tocas artificiais feitas com cano PVC para, caso o animal se interesse, utilizar como abrigo. É importante ressaltar que o animal não estará disponível para visitação.
Projeto Tatu-bola em execução desde 2013 é uma iniciativa da Associação Caatinga em parceria com o Grupo de Especialistas em Tatus, Tamanduás e Preguiças da IUCN e a The Nature Conservancy. A Associação Caatinga foi responsável em 2013 pela indicação do tatu-bola para mascote da Copa do Mundo de Futebol de 2014 e no mesmo ano lançou a campanha “Eu Protejo o Tatu-bola”. Atualmente é a instituição responsável pela coordenação executiva do Plano Ação Nacional para a Conservação do Tatu-bola.
Não há uma estimativa da quantidade da espécie no Brasil, porém pesquisas estão sendo feitas em várias regiões do país para realizar esse levantamento. Para incentivar as pesquisas e valorização do animal exclusivamente brasileiro, o governo federal elaborou um plano de preservação da espécie, e desde então o animal se tornou conhecido tanto no Brasil quanto no exterior. 

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