Tocantins - Ministério Público pede ao TRE a cassação de Marcelo Miranda e inelegibilidade de Sandoval

MG MOREIRA
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A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) do Tocantins entrou com uma ação de investigação judicial eleitoral contra o atual governador do estado, Marcelo Miranda (PMDB), a vice, Cláudia Lelis (PV), o ex-governador e candidato derrotada nas eleições de 2014, Sandoval Cardoso (SD), e o candidato a vice, Ângelo Agnolin (PDT).

Sandoval e Agnolin

Caixa-dois

De acordo com a ação Sandoval e Agnolim cometerem abuso de poder político e econômico durante o período eleitoral de 2014 utilizando-se do Programa Pró-Município, que tem como objetivo principal a recuperação da malha asfáltica urbana de todos os municípios do estado. Segundo a procuradoria, elas também teriam concedido benefícios a servidores públicos para beneficiar suas candidaturas, além de distribuir combustíveis de forma indiscriminada, realizar gastos por meio de "caixa dois" e utilizar servidora pública para prestar serviços advocatícios em sua campanha.

Pró-município

No entendimento do Ministério Público Eleitoral, a conotação do uso eleitoreiro do Pró-Município é demonstrada na ordem de realização das obras, definida conforme a população dos municípios. A prioridade dada às cidades com maior número de eleitores reflete o real objetivo de trazer a simpatia do eleitorado à campanha de reeleição de Sandoval e seu vice Agnolin. Segundo a ação, este tipo de obra chama a atenção e causa impacto no eleitorado por constituir poderoso fator de marketing, utilizado nos programas eleitorais e na publicidade institucional para incutir no eleitorado a ideia de que a obra era realizada pelo então gestor, candidato à reeleição.

Para o MPF, além de angariar a simpatia do eleitorado diretamente, o programa foi utilizado para pressionar prefeitos tocantinenses a aderirem à campanha dos investigados, conforme demonstra representação de diversos prefeitos relatando a ocorrência de pressão para apoiar a candidatura de Sandoval a fim de obter os benefícios do programa.

Pacote de bondades

A ação destaca que às vésperas das eleições, o ex-governador concedeu vantagens como aumentos salariais, acréscimos em gratificações e reenquadramentos a quase seis mil servidores públicos das carreiras da Polícia Civil, Defensoria Pública Estadual, Agência de Defesa Agropecuária, Receita Estadual e Secretaria da Saúde, em franco abuso de poder político.

Distribuição de combustível

A procuradoria afirma ainda que Sandoval distribuiu combustível em quantidade expressiva e de forma indiscriminada a centenas de eleitores, para que manifestassem apoio à sua candidatura durante a realização de carreatas. Os gastos foram omitidos da prestação de contas dos investigados e quitados com dinheiro em espécie sem transitar na conta específica de campanha, fato que evidencia a utilização de caixa dois.

Inelegibilidade

Diante das irregularidades, a Procuradoria Regional Eleitoral pede que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) decrete a inelegibilidade de Sandoval Cardoso e Angelo Agnolin pelo período de oito anos.

Marcelo Miranda e Cláudia Lelis

Prisões e apreensão de dinheiro


O MPF cita na ação de investigação judicial eleitoral Marcelo e Cláudia Lelis, a prisão em flagrante de quatro pessoas no aeroporto da cidade de Piracanjuba (GO) no momento em que embarcavam em uma aeronave de propriedade da Construtora ALJA Ltda, portando o montante de R$ 500.000,00 em espécie. Conforme as investigações, o dinheiro havia sido sacado momentos antes na agência da Caixa Econômica Federal da conta de Lucas Marinho Araújo, de onde já havia sido transferido mais de um milhão de reais para outras contas-correntes no Tocantins.

Segundo a procuradoria, há fortes indícios de que os recursos apreendidos eram destinados ao caixa 2 da campanha de Marcelo. Além de Lucas, foram presos Roberto Carlos Barbosa, Marco Antonio Jaime Roriz e Douglas Marcelo Schimidt, cujos depoimentos fizeram surgir mais suspeitas de que o dinheiro seria utilizado na campanha eleitoral no Tocantins. O único a negar o destino do dinheiro perante a autoridade policial por saber da implicação legal da apreensão foi o chefe da missão, Douglas Marcelo.

Para o Ministério Público, há elementos que permitem afirmar com certeza que o dinheiro apreendido e o transferido da conta de Lucas Marinho teve como destino a campanha eleitoral do PMDB do Tocantins. Segundo o MPF, além do caráter incomum do empréstimo da aeronave, o empréstimo obtido em uma factory situada em Brasília sem patrimônio ou outra garantia dada aos agiotas torna inverossímil a versão de que ele obteve emprestada a elevada quantia de R$ 1.500.000,00. A ação ainda questiona a complexa engenharia financeira para obter o empréstimo, desnecessária se a operação fosse legal.

Carro alugado pelo PMDB

De acordo com a Procuradoria Regional Eleitoral, o veículo utilizado pelo grupo encontrava-se à disposição da campanha eleitoral do PMDB, já que a locadora aparece na prestação de contas do comitê financeiro do partido, fato que confere com a declaração de Marco Antonio no auto da prisão em flagrante. A utilização da aeronave também reforça a afirmação que todo o esquema era organizado pela campanha eleitoral do partido. O laudo pericial realizado pela Polícia Civil de Goiás traz análise e transcrição de anotações de bordo constando diversas viagens no período eleitoral com o candidato Gaguim e uma com o candidato Marcelo e comitiva, além de uma nota fiscal emitida por uma empresa de abastecimento a favor do comitê financeiro do partido do governador eleito.

Irmão de Marcelo pagou conta de hotel

A ação da PRE destaca ainda que as despesas de Douglas no hotel em que o grupo ficou hospedado em Goiânia foram pagas pelo irmão de Marcelo Miranda, José Edmar Brito Miranda Júnior, conforme comprovam boleto de cartão de crédito e imagens de câmera de segurança do hotel. Outra prova são as diversas postagens de imagens em aplicativo enaltecendo a campanha e seus candidatos, inclusive dando detalhes da quantidade de veículos que seriam caracterizados naquela semana.

Mensagens de celular

De acordo com o MPF, a perícia realizada nos aparelhos celulares utilizados pelos quatro presos em Piracanjuba revelou a existência de intensa troca de mensagens entre Marco Antonio Roriz e o irmão de Marcelo Miranda, Júnior Miranda. Há mensagens em que Marco Roriz conversa com Júnior Miranda relatando já terem acertado com Douglas o horário de se encontrarem no dia da operação.

Recursos não declarados

Na ação, a PRFE afirma que o governador e a vice captaram e utilizaram recursos de origem ilícita na campanha eleitoral, já que parte dos recursos depositados na conta de Lucas Marinho chegaram a ser transferidos para contas de empresas de fachada, para depois irrigarem os gastos de campanha, mesmo destino do dinheiro em espécie apreendido. Os recursos não transitaram pelas contas correntes abertas para movimentação financeira da campanha eleitoral e, portanto, caracterizam-se como “caixa dois”.

Cassação

Na ação protocolada no TRE, o Ministério Público Eleitoral pede a cassação dos diplomas e mandatos do governador Marcelo Miranda e da vice, Cláudia Lelis. 

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