Campo Grande:Pecuarista mata esposa com barra de ferro e se suicida

MG MOREIRA
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O pecuarista José Mário Ferreira, 58 anos, matou a esposa, a médica Maria José de Pauli, 60 anos, com uma barra de ferro, e depois se suicidou enforcado em uma corda. O crime ocorreu na noite de ontem, por volta das 21h30, na varanda da residência do casal, na rua Luis Pereira de Souza, no bairro Monte Líbano, em Campo Grande.



De acordo com Polícia Civil, Maria José teria descoberto uma traição do marido e, por isso, havia pedido a separação. Sem aceitar a situação, os dois teriam brigado e em seguido ele matou a esposa e se suicidou.

Após uma briga do casal, José Mário deu golpes com uma barra de ferro na cabeça de Maria José. Antes de se matar, ele ligou para uma das filhas do casal e avisou que a mãe estava morta e que iria se suicidar.

Baseado na composição na qual a cena do crime foi encontrada, a Polícia Civil supõe que o pecuarista subiu em uma escada, amarrou a corda na varanda e se enforcou.

Após a ligação de José Mário, um dos genros do casal foi até à residência. Porém, ao chamar pelos sogros várias vezes e não teve resposta, ele arrombou o portão da casa com a caminhonete.

Ao entrar na casa, ele viu a médica caída no chão, com a barra de ferro em cima da mesa, próximo ao corpo da vítima, e o pecuarista enforcado. O genro ainda tirou a corda do pescoço de José Mário, mas ele já estava morto.

Em quarto nos fundos da casa, a Polícia encontrou também malas com roupas de José Mário. A médica já havia registrado ocorrência de injúria contra o marido, na Deam (Delegacia Especializada Atendimento à Mulher).

Na casa, a Polícia recolheu a barra de ferro, a corda, dois celulares, o computador. O caso foi registrado como homicídio doloso.
Médica foi morta após um “dia inteiro de brigas” com marido em casa
“Eles sempre discutiam muito, mas ontem as brigas ocorreram o dia todo. Ontem, uma das três filhas passou o dia na casa, tentando apaziguar as discussões, porém ela foi embora no final da tarde e eles continuaram falando alto”, diz uma vizinha que mora há 30 anos na mesma rua e que prefere não se identificar.

Quando se mudou, a vizinha conta que o casal já residia no Monte Líbano e que a casa era “bem movimentada”, principalmente antes do casamento das três filhas. “Eles tem duas netas, que sempre estavam na casa. Eu saí cedo de casa, mas o filho de outra vizinha saiu às 21h e ainda escutou brigas. Quando cheguei, vi toda aquela movimentação e fiquei chocada”, diz o vizinho.

Moradora próxima, a aposentada Ingrid Sucker, 52 anos, relembra a rotina agitada do casal. “Ela (a médica) tinha muitos plantões para fazer e por isso passava o dia todo fora de casa. Eu sempre os considerei muito tranqüilos, até uma vez em que o marido dela pediu para o meu filho não tocar muito alto por conta dos plantões que ela fazia e precisava descansar”, comenta a outra vizinha.

Mesmo não tendo “tanto contato”, a aposentado diz estar muito abalada. “Eu desmoronei quando fiquei sabendo o que aconteceu”, finaliza. Neste domingo, a casa permanece fechada, ainda com as marcas do pneu da caminhonete que arrombou o portão.

Antes de ser morta pelo marido, médica recusou medida protetiva


Na última sexta-feira, dia 10, ela foi à tarde na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) e relatou dificuldades para conseguir a separação.


Uma policial sugeriu que a médica pedisse medida judicial para se proteger do marido, o pecuarista José Mário Ferreira, de 58 anos. Contudo, a médica se recusou. Ao fim do atendimento, lhe foi entregue uma cartilha sobre a Lei Maria da Penha, que também foi recusada por Maria José. “Ela disse não, não é para tanto. Não acredito em algo mais grave”, relata a delegada Rosely Molina.


Entretanto, a delegada explica que até mesmo a medida poderia chegar tarde. Pois era fim de sexta-feira e há prazo de 48 horas para ser avaliada pela Justiça.


Durante o depoimento, a médica contou que há muito tempo descobriu que era traída pelo marido e queria, somente, a separação. No entanto, ele se recusava a sair de casa, o que provocava muitos atritos entre o casal. Maria José também relatou ofensas verbais diárias, como ser chamada de gorda, e diversas formas de humilhação. Porém, demorou a procurar a delegacia por medo e vergonha.


Do relato, foi registrado um BO (Boletim de Ocorrência) por crime de injúria, devido às ofensas verbais. Com o documento, a médica tinha prazo de seis meses para representar contra o autor. Segundo Rosely Molina, a policial que conversou com a médica ficou muito abalada e em pranto, ao saber que Maria José foi morta pelo marido na noite de sábado.

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